Open Source na Globo.com

Open Source na Globo.com

Sempre tive a curiosidade em saber um pouco, pelo menos, do uso do código aberto numa empresa de ponta e tive a oportunidade de entrevistar Rodrigo Senra, desenvolvedor da Globo.com.

Espero que curtam esta pequena entrevista feita por e-mail.

Rodrigo Senra da Globo.com

– Quem é o Rodrigo Senra e qual é o seu papel dentro da Globo.com?

Sou projetista e desenvolvedor de software no cargo de Especialista,  atuante no time de semântica dentro da área de plataformas na Globo.com. No mundo open-source sou mais conhecido pela minha atuação na construção da comunidade open-source relacionada a linguagem de programação Python e tecnologias correlatas. Neste contexto, fiz a primeira tradução do tutorial do tutorial oficial de Python do Inglês para o Português em 2001, organizei a primeira conferência nacional de Python em Campinas 2005, fui membro fundador da Associação Python Brasil em 2007, e fui o primeiro ganhador do prêmio Dornelles Tremea (juntamente com Luciano Ramalho) por contribuições à comunidade Python brasileira em 2011.

No meu site pessoal http://rodrigo.senra.nom.br há mais detalhes, inclusive referências para literalmente mais de uma centena de palestras no Brasil e exterior.

– Como foi a decisão de usar open source como solução em TI na Globo?

Foi fácil. A Globo.com já era uma softhouse aderente ao open-source antes da minha chegada em agosto de 2012, eu simplesmente dei continuidade a essa cultura. Eu diria que no Brasil, a Globo.com é uma importante fonte de projetos open-source, isso pode ser verificado através do Github, pelo link: https://github.com/globocom?query=+only%3Apublic+

– Qual é o processo de escolha, testes e implantação de uma solução open source?

Do ponto de vista de escolha, o processo é o mesmo se a solução for de código fechado. Queremos um código legível, que resolva efetivamente e eficientemente um determinado problema, e que seja bem documentado e que possua suporte se necessário. A diferença é que a maioria das soluções open-source apresenta uma qualidade melhor no código-fonte, uma  maior cobertura de testes, e uma comunidade mais acessível.

Do ponto de vista de implantação, algumas vezes há um custo adicional em liberar um projeto como open-source. Por exemplo, no caso do Brainiak (https://github.com/globocom/brainiak_api e https://twitter.com/brainiak_api) que liberamos recentemente como open-source, foi necessário fragmentar o projeto em dois para isolar informação interna que não pode ser publicada externamente, como senhas para deploy interno ou acesso a bases de dados corporativas.

– Onde existe open source dentro da empresa?

O open-source está em toda parte: nos produtos que tem a cara na Internet (e.g G1, Globoesporte, Techtudo, etc), na plataforma de middleware e backend, no ferramental de deploy da infra-estrutura e até nos sistemas operacionais que executam em nossos servidores (algumas distros de linux foram modificadas para atender a necessidades específicas).

– E seu uso tem alguma discriminação entre os usuários internos?

Não que eu saiba. A Globo.com é um berçário de hackers (não confundir com crackers) onde grandes nomes nascem, crescem e depois se espalham pelo mundo. Neste ambiente, o open-source é visto com muito bons olhos e está no DNA da empresa. Nós seguimos o exemplo de outras grandes empresas que abrem parcialmente sua base de código, como o Facebook e o Netflix. Mas isso não quer dizer, que só código aberto é usado aqui. Por exemplo, eu estou respondendo este e-mail em um Mac Book executando OS X (fechado), e uso o excelente IDE PyCharm (fechado) quando desenvolvo em Python. Outros desenvolvedores usam diferentes combinações incluindo vi e Linux (abertos). Ou seja, existe uma diversidade sadia e preferências individuais são respeitadas.

– Como é formada a equipe e quantas pessoas trabalham com open source?

Eu não tenho números exatos, e tampouco se tivesse não sei se poderia divulgar essa informação com exatidão. O que posso dizer é que certamente há mais de uma centena de desenvolvedores e devops, e praticamente todos tangenciam o open-source em algum momento. Sendo que alguns, se quiserem, podem respirar 100% open-source.

– O sistema operacional que usam é proprietário? Qual?

Nos notebooks de desenvolvimento é possível usar Linux ou Mac OS X. Eu uso Mac, mas tenho VMs com outros sistemas operacionais. Nos servidores, há grande maioria são Linux, com diferentes distros, algumas customizadas. A informação exata de quantos servidores e que versões estão em execução prefiro não revelar, por respeitar uma política de segurança. Mas se procurarem por palestras de integrantes da Globo.com no Brasil e no exterior vão acabar encontrando algumas referências ;o)

– Como você mede a satisfação em usar um código que pode alterar a vontade?

Na minha humilde opinião, para o desenvolvedor de alto nível,  o open-source é sempre uma alternativa mais atraente. É possível aprender com o código-fonte, modificar a matéria-prima para que os objetivos sejam atingidos e os bugs não tem como se esconder.

Agradeço a entrevista ao Rodrigo que nos mostra um pouco do uso do código aberto nas organizações Globo.

CEO da Canonical crava: o Ubuntu tablet OS contra o Android e o iOS

Jane Silber acredita que há espaço de sobra para um jogador novo na forma de tablets, TVs, e talvez até mesmo smartphones.

Jane Silber está em uma missão de oferecer a distribuição Ubuntu Linux para os dispositivos móveis e TVs, ao invés de ficar preso em desktops.

A CEO da Canonical assumiu a partir do anterior CEO, Mark Shuttleworth, em março de 2010. Logo após o Dia de Ano Novo, ela fez uma visita aos escritórios InfoWorld em São Francisco para falar com o editor da InfoWorld  sobre as ambições da Canonical no mercado de móveis, bem como refletir sobre os sucessos da Canonical e o que o separa dos rivais.

Leia abaixo um resumo da entrevista com os pontos mais relevantes:

  1. O Ubuntu estará no tablet, na tv e num futuro próximo, no smarthphone, mas sem data definida.
  2. O Ubuntu Tablet será revelado ainda neste ano de 2012.
  3. Competir com o Google Android e Apple iOS? A plataforma Ubuntu leva vantagem por ser aberto e ter milhares de colaboradores.
  4. A Canonical esta conversando com muitos parceiros (sobre os vendedores de hardware para tablets e não diz o nome de ninguém).
  5. A base atual de usuários do Ubuntu é de 20 milhões pelo mundo.
  6. “É mais natural e tem uma interface melhor. Nossos testes mostram que as pessoas aprendem mais rápido e isso oferece prazer.” (sobre o Unity).
Jane Silber- CEO da Canonical
Jane Silber- CEO da Canonical

Entrevista com Gerente OEM da América Latina da Canonical

Enfim!!!

Consegui uma entrevista com o gerente OEM da América Latina da Canonical, Mauricio Pretto.

Aproveitando que terminou o FISL 2011, onde a Canonical teve destaque, consegui esta entrevista – por e-mail – que você lê agora com exclusividade.

UD: Como foi a preparação e a expectativa que você e sua equipe tiveram para a FISL 2011?

MP: Os preparativos foram bem estressantes, afinal essa foi a apresentação formal da nova operação da Canonical no Mercado Brasileiro e todos estávamos com uma expectativa muito grande para mostrar ao mercado quais as intenções da Canonical no Mercado Latino Americano e Brasileiro.

UD: E o resultado conquistado no FISL 2011, tanto em geração de negócios como mostrar a Canonical para o público?
MP: O resultado do FISL foi ótimo, acima de nossas expectativas, ótimos contatos com possíveis clientes, grandes empresas que já estão utilizando Ubuntu, e um contato excelente com nossa grande comunidade Brasileira que tem se mostrado uma da mais ativas do mundo. Espero que no próximo ano possamos ter brindes para todos, mesmo com o grande número de brindes (mais de 4000 diferentes brindes) algumas pessoas ficarem sem brindes.

UD: O trabalho da Canonical é focar as estatais como forma de divulgar as soluções empresariais. O quanto isso cresceu no último ano e quais as perspectivas para 2011?
MP: Não posso divulgar 100 % da nossa estratégia, mas temos o governo como um grande usuário e aliado na adoção de Ubuntu, temos mapeado já 1 Milhão de Dispositivos (Laptops, Netbooks, Desktops) rodando Ubuntu no governo seja ele Federal, Estadual ou Municipal e com certeza estamos em conversas com eles para trabalharmos em conjuntos. Mas o nosso trabalho não é só isso, provemos suporte a comunidade local e nossos usuários domésticos.

O crescimento tem se mostrado acima do esperado, mas devido a sermos uma empresa de capital fechado não podemos divulgar todos números, mas a expectativa é de um crescimento de pelo menos 150 %.

UD: Como você trabalha o relacionamento da empresa e seu produto-mor – o Ubuntu – com o ecossistema de usuários da distribuição?
MP: Nós na Canonical não vemos essa divisão, os usuários e as comunidades (LoCo Teams) são tão importantes quanto grandes empresas, temos grandes equipes na empresa focadas 100 % em relacionamento com usuários e comunidade. A comunidade é a Alma da empresa e que impulsiona a Canonical e as decisões tomadas referentes ao Ubuntu.

UD: Não existem muitos PCs com o Ubuntu embarcado de fábrica. Você pode explicar como trilhar e termos esperança de comprar máquinas com a distro direto da loja?
MP: Primeiro gostaria de dizer que esse número vai aumentar e ótimas novidades esperam nossos usuários no Brasil, grandes novidades estão logo ali na esquina. Gosto sempre de dizer a todos, não reprimam as suas vontades, falem para o seu fabricante de hardware favorito, que você quer uma máquina com Ubuntu, faço aqui um convite a todos leitores do seu blog, liguem para o SAC, usem o SAC 2.0 (twitter, web, facebook, google+ agora?) e digam o que vocês querem, quanto mais pessoas pedirem mais teremos.

UD: Quais são as expectativas da Canonical no mercado brasileiro? Somos foco apenas em vendas?
MP: O Brasil é um foco em diversas frentes, algumas delas são, mão de obra de primeira temos ótimos desenvolvedores aqui e estão de olho em contratar algumas dessas pessoas, queremos ouvir o que nossos usuários aqui tem a dizer e aplicar isso no nosso sistema (nosso não só da Canonical mas de todos nós), no último mês, por exemplo, tivemos uma antropóloga realizando diversos estudos no Brasil, estudos estes realizados com usuários finais buscando compreender melhor como o Ubuntu se adapta a realidade do dia-a-dia deles e o que devemos fazer para melhor a experiencia.

UD: O que você gostaria de dizer ao usuário Ubuntu?
MP: Que estamos muito felizes em poder estar mais próximos a vocês, e que estamos trabalhando muito para fazer o Ubuntu ainda melhor para todos nós, e que fiquem atentos estamos sempre pensando em vocês e buscando novidades para surpreender vocês, e não esqueçam vocês fazem o Ubuntu e se estamos onde estamos é pelo apoio de vocês.

UD: Me arruma uma mochila Ubuntu?
MP: shop.ubuntu.com

Obrigado, Mauricio por seu tempo e disposição.

Conhecendo a Canonical Brasil

canonical

Hoje eu tive um encontro com o gerente de OEM da América Latina da Canonical, o Sr. Mauricio Pretto. Encontro esse a convite do próprio, com o único intuito de um começo de aproximação da Canonical com o “ecossistema” Ubuntu local.

Sem nenhuma pretensão de ser uma entrevista (algo já agendado por este blogueiro), Mauricio Pretto me contou as atividades atuais da Canonical e das pretensões em nosso país, entre um café Starbuck e no meio de uma tempestade que caía em São Paulo, nesta tarde.

Mesmo sem poder revelar detalhes, fiquei sabendo que o foco da empresa é atingir todo ecossistema que gira em torno do Ubuntu: desde o usuário comum passando por empresas, por técnicos, por novos mercados e etc.

O que percebi nele é a vontade de crescimento e que o Brasil esta no momento propício para isso.

Algumas ações em eventos estão planejadas para este ano, mas o que mais me marcou, foi a frase: “O Unity vai ser um divisor de águas”. Alguém duvida?

Pouco falamos do sistema operacional, mas com certeza, terei oportunidade de tomar mais detalhes em breve.

Enfim, o bate-papo foi de apresentação entre a Canonical que acaba de chegar no Brasil e que abre seu escritório na avenida Paulista e do Ubuntu Dicas (na minha pessoa como editor-chefe).

Este foi um passo importante, pois pela primeira vez tenho contato com um representante do alto escalão da Canonical e que abriu “as portas” para conhecer o que o seu público-alvo deseja, anseia, sugere, etc. Um forte parceria foi criada neste momento.

No futuro novidades virão e vocês saberão antes aqui. Fique ligado!