Pirataria: um só crime em vários formatos

por Gilberto Sudré

Quem está envolvido na área de tecnologia ou usa um computador provavelmente já deve ter ouvido o termo “pirataria”. Seu significado mais comum é a ação de copiar e/ou distribuir ilegalmente software ou conteúdo (como música, texto ou fotos) protegido por direitos autorais.

Falando especificamente em relação ao software, o que pouca gente sabe é que há diferentes modalidades de pirataria. Conhecer as várias formas deste furto de propriedade intelectual pode proteger você e sua empresa de estarem envolvidos com tal prática, mesmo que de forma não intencional.

Só para lembrar, este crime é passível de punição com multa de até 2000 vezes o valor da cópia pirata encontrada na empresa e seus representantes legais são responsabilizados criminalmente pelo ato.

A forma mais comum de pirataria acontece quando o usuário copia o software sem ter a licença para seu uso. Isto pode acontecer no ambiente pessoal ou em empresas que não controlam corretamente o número de licenças adquiridas e instaladas em seus computadores.

Outra situação que devemos ficar atentos é quando adquirimos um computador que já vem com o sistema operacional e aplicativos instalados. Neste caso o usuário deve conferir a nota fiscal para verificar se ela relaciona todos os aplicativos fornecidos. Esta é a garantia de que os programas são legais.

Se você faz download de programas através da Internet também deve verificar se o proprietário do aplicativo autorizou sua distribuição. Nesta situação a recomendação é evitar sites de downloads “genéricos” e sempre baixar os programas a partir da página oficial do fornecedor.

Quem acha não corre riscos quando adquire os aplicativos em lojas pode ter surpresas. Existem muitos vendedores que oferecem programas falsos mas em embalagens muito parecidas com as originais. Estes pacotes de software normalmente incluem cartões de registro falsificados ou com números de série não autorizados. Para ficar livre deste problema só adquira programas em estabelecimentos conhecidos e exija a nota fiscal.

Fique atento ao preço do software. Se estiver barato demais há grande chance deste produto ser pirata.

Se você não quer pagar o preço do aplicativo proprietário lembre-se de que sempre existe a opção do software livre, uma alternativa gratuita e equivalente. Muitas pessoas já migraram para este tipo de programa e estão muito satisfeitas.

 

Software Livre: maduro para o mercado corporativo

Para muitas pessoas da área de TI quando se fala de Software Livre surge logo a ideia de um grupo de nerds com muita irreverência, experimentação, protesto e nada levado a sério. Pois isto está muito longe da realidade.

Esta visão pode ter sido verdade a alguns anos, mas observando o mercado vemos indicadores cada vez mais claros de que o Software Livre passa a fazer parte da lista de opções consideradas pelas corporações.

Traduzindo em números, em estudo recente realizado com 300 empresas de grande porte pela Accenture confirmou que metade delas já está comprometida com soluções de código aberto. Dos outros 50% que não usa normalmente aplicativos em Software Livre, 28% delas estão realizando testes ou têm empregado esse tipo de software em casos específicos. E mais, 69% das empresas pesquisadas avaliam a possibilidade de aumentar os investimentos em soluções Livres.

Era de se esperar que a escolha dos aplicativos livres fosse motivada pela redução de custo . Pois não é isto que as corporações relatam. Segundo a pesquisa fatores como qualidade, segurança e confiabilidade são os determinantes na adoção do software livre.

É fato que as corporações procuram minimizar os riscos e estão em busca soluções confiáveis para colocar suas “fichas”. Principalmente quando estamos falando das informações vitais para o seu negócio. Na maioria das vezes as empresas esperam que alguém faça a escolha antes e os exemplos de sucesso apareçam, para então embarcar na tecnologia. Pois exemplos de sucesso é o que não falta.

Além dos fornecedores de software, que tentam associar sua imagem a soluções livres como a Oracle, grandes empresas integradoras de TI como a IBM, Unisys ou HP reforçam seus times de consultores e técnicos para atender as demandas crescentes nesta área.

O modelo de negócios de Software Livre ainda está baseado fortemente na prestação de serviços de integração e suporte, já que os aplicativos básicos como sistema operacional e banco de dados, linguagens e automação de escritório estão virando commodities. A diferença está na qualidade do serviço prestado.

O que vai determinar o sucesso ou não do projeto é a escolha do fornecedor de serviços. Experiência, treinamento, certificações e tamanho da equipe técnica vão definir se você vai depender de uma equipe ou de um único profissional.

Muitas corporações já baseiam toda a sua infraestrutura de TI em soluções livres devido a confiabilidade e segurança oferecida. Definitivamente o Software Livre não é mais uma questão para amadores.

Gilberto Sudré